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Homem é preso suspeito de aplicar golpe com falso curso marítimo que pode ter feito mais de 200 vítimas na Baixada Maranhense

Segundo a Polícia Civil, suspeito teria oferecido formação para marinheiro mercante e recebido pagamentos antecipados de moradores de Arari. Investigação aponta que o número de vítimas pode ser ainda maior, com relatos também em Miranda do Norte


Homem é preso suspeito de aplicar golpe com falso curso marítimo que pode ter feito mais de 200 vítimas na Baixada Maranhense
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Um homem identificado como Waldenir Duarte Reis foi preso nesta quinta-feira (17), no Maiobão, em Paço do Lumiar, suspeito de aplicar um golpe envolvendo a oferta de um falso curso de formação marítima. De acordo com a Polícia Civil do Maranhão, aproximadamente 200 pessoas podem ter sido vítimas do esquema somente no município de Arari, na Baixada Maranhense.

Segundo relatos dos moradores, os interessados pagaram valores entre R$ 1 mil e R$ 2 mil, ou até mais, para garantir uma vaga na suposta formação de marinheiro mercante. No entanto, mais de um ano após os primeiros contatos, as aulas ainda não haviam começado.

A investigação foi iniciada após denúncias de moradores de Arari. Conforme a Polícia Civil, o suspeito teria se apresentado como tenente aposentado da Marinha e oferecido um curso profissionalizante destinado à formação de trabalhadores para atuar em embarcações comerciais.

As vítimas afirmam que ele também utilizava o nome de um instituto particular de São Luís que atua na área de formação marítima. Os primeiros contatos teriam ocorrido em novembro de 2024, após divulgações nas redes sociais e indicações de pessoas que supostamente já haviam participado de cursos oferecidos pelo investigado.

Curso custaria cerca de R$ 10 mil por aluno

De acordo com os relatos, a formação teria duração prevista de seis meses e custo aproximado de R$ 10 mil por participante. Para garantir a inscrição, os interessados realizaram pagamentos antecipados, geralmente entre R$ 1 mil e R$ 2 mil.

Segundo o delegado de Arari, Henrique Tanaka, o investigado recebia os valores referentes à matrícula e, posteriormente, adiava repetidamente o início das aulas.

Após os sucessivos adiamentos, ele teria se apropriado dos valores pagos e interrompido o contato com as vítimas.

A Polícia Civil estima que cerca de 200 pessoas tenham sido prejudicadas somente em Arari. A investigação também aponta possíveis vítimas em Miranda do Norte e São Luís, o que pode elevar o número de pessoas afetadas.

Vítimas relatam sucessivos adiamentos

Segundo os moradores, o investigado inicialmente teria informado que as aulas começariam após a conclusão de um processo de credenciamento junto à Marinha do Brasil e à Capitania dos Portos.

A formação, que teria previsão de início ainda em 2025, foi adiada diversas vezes. Posteriormente, um novo prazo teria sido informado para março de 2026, mas as aulas continuaram sem começar.

O encanador Fábio da Conceição Bezerra relatou que começou a desconfiar da situação após os constantes adiamentos.

“Depois que passa do prazo e não tem resposta, a pessoa já começa a desacreditar. Foi isso que foi acontecendo”, afirmou.

Fábio disse que já não acredita na realização do curso e espera recuperar o dinheiro que pagou. Segundo as vítimas, há comprovantes das transferências bancárias realizadas ao investigado.

O mecânico-montador Paulo Patrézio também relatou que recebeu diferentes justificativas para os atrasos durante meses.

Outra vítima afirmou que espera que as autoridades tomem providências, mesmo sem a certeza de recuperar o valor pago.

Marinha nega vínculo com o investigado

A Marinha do Brasil informou que Waldenir Duarte Reis não possui vínculo, credenciamento ou autorização para representar a instituição ou a Capitania dos Portos do Maranhão.

A instituição declarou ainda que analisará os fatos e que poderá adotar as medidas cabíveis caso sejam identificados indícios de uso indevido de seu nome ou da Capitania dos Portos.

Em nota, o instituto de São Luís mencionado pelas vítimas informou que Waldenir trabalhou como instrutor da instituição há mais de dez anos, mas atualmente não mantém qualquer vínculo com o grupo de ensino.

Polícia orienta possíveis vítimas a registrar ocorrência

A Polícia Civil orienta que outras pessoas que tenham sido vítimas do investigado procurem a Delegacia de Arari para registrar ocorrência e apresentar comprovantes de pagamento, mensagens e outros documentos que possam contribuir com as investigações.

Waldenir Duarte Reis foi preso suspeito de estelionato e permanece à disposição da Justiça. As investigações seguem em andamento para identificar outras possíveis vítimas e esclarecer as circunstâncias do caso.




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